Conteúdo verificado

Gestão de riscos: qual a importância para sua empresa e como fazer estrategicamente?

“Quem não corre risco, não sai do lugar”. Essa máxima é considerada polêmica por alguns, mas a verdade é que todos estamos expostos aos riscos em nosso cotidiano. E isso, obviamente, não é nem um pouco diferente com as empresas. É daí que surge o conceito de gestão de riscos.

A gestão de riscos empresariais é um planejamento estratégico que visa eliminar, reduzir ou prevenir, através de medidas, a chance de que os riscos se concretizem.

Em um cenário de transformação e disrupção tecnológica, o desafio é assumir os riscos certos para evoluir. Ou seja, correr riscos de forma inteligente, pois essa é a única forma que as empresas têm de se reinventar, criar valor e prosperar no mercado.

De acordo com estudo realizado pela PWC, 58% das empresas no Brasil buscam criar oportunidades a partir dos riscos a que estão sujeitas.

Nesse cenário, mesmo com um planejamento exemplar, os riscos estão aí e não dá para fugir totalmente deles. Porém, é possível trabalhar com um programa de gerenciamento de riscos que reduza as chances de que as coisas fujam totalmente do controle e minimizar suas consequências.

Neste artigo, apresentamos os principais riscos, como fazer a gestão de riscos empresariais e as ferramentas de controle mais eficazes. Não perca!

O que é gestão de riscos?

Vamos começar do princípio: o que seria um “risco”?

Risco é efeito da incerteza em relação aos objetivos. Assim, no ambiente empresarial, entendemos o risco como um desvio em relação às expectativas iniciais, podendo ser um resultado inesperado ou indesejado pelos gestores.

A partir dessa definição, a gestão de riscos é um processo que visa identificar, avaliar e lidar com os riscos potenciais que podem impactar os objetivos de uma operação. Esse é um trabalho permanente, desenvolvido e monitorado pela gestão da empresa.

Para exemplificar, um risco empresarial é uma situação ou condição futura como:

  • falha operacional na produção;
  • inadimplência de clientes;
  • interrupção na entrega de matérias-primas;
  • acidente de trabalho;
  • brecha na segurança cibernética;
  • evento inesperado, como incêndio ou explosão;
  • mudança repentina na regulamentação do setor;
  • redução na demanda devido a crises econômicas;
  • perda de um fornecedores estratégicos;
  • entre outros.

Qual a finalidade da gestão de risco?

A gestão de risco possui como finalidade principal proteger a organização, reduzir as incertezas e facilitar a tomada de decisão. Afinal, em um cenário onde a empresa não é capaz de mensurar suas vulnerabilidades, fica praticamente impossível antecipar qualquer medida de contingência quando algo ruim ocorrer.

Paralelamente, a gestão de riscos também propõe a adaptação de empresas às normas e regulamentações a que estão expostas. O setor da saúde, por exemplo, além de outros segmentos que lidam com muitos dados de clientes, precisou se adequar à LGPD para gerenciar corretamente os dados físicos e digitais dos pacientes.

Em todos os casos, o gerenciamento de riscos é a garantia de que a organização possa seguir operando, mais resiliente e competitiva no mercado.

O que faz um profissional de gestão de riscos?

O profissional de gestão de riscos por vezes representa a empresa sob o papel de um gerente de riscos, analista de riscos, consultor de gestão de riscos e até auditor de riscos. A atuação desse trabalhador, é claro, está muito atrelada ao setor em que ele atua.

Por exemplo, o profissional gestor de riscos em uma instituição financeira tem responsabilidades bem diferentes de um profissional no setor de transportes e logística.

Apesar disso, independentemente do setor, alguns deveres comuns são:

  • Identificar riscos e propor soluções;
  • Acompanhar indicadores e os planos de ação;
  • Criar e implementar políticas para a redução de riscos;
  • Avaliar causas, impactos e formas de tratar os riscos;
  • Promover a cultura de gestão de riscos na empresa;
  • Elaborar relatórios e materiais de apoio sobre riscos;
  • Testar controles internos e revisar as políticas da organização;
  • Trabalhar com diferentes áreas para integrar a gestão;
  • Elaborar e apresentar análises e dados para decisões estratégicas.

Quais são os principais riscos empresariais?

Existe uma série de riscos que assombram, principalmente, os setores jurídico, financeiro, de segurança no trabalho e compliance das empresas. Muitos deles são evitáveis, mas há também outros imprevisíveis, cuja origem é externa. Vejamos quais são:

Risco financeiro

Risco financeiro é todo tipo de incerteza que expõe a empresa a perdas financeiras, como endividamento ou inadimplência, que afetam diretamente a estabilidade da companhia. O risco financeiro também está presente quando a empresa aposta em novos negócios.

Por exemplo, se o cliente de uma transportadora deixar de honrar um pagamento previsto em contrato, isso pode comprometer o fluxo de caixa da empresa.

Risco de mercado

Este é um exemplo de risco que não está totalmente sob o controle da empresa. Isso porque o risco de mercado está relacionado a eventos externos, como a valorização do dólar, oscilação no preço de commodities ou o surgimento de grandes inovações do setor.

Exemplo: com a valorização do dólar, o custo de fertilizantes e defensivos agrícolas importados aumenta e, com isso, uma produtora de grãos eleva as despesas de produção. A consequência é a redução de sua margem de lucro no mercado nacional.

Risco operacional

Risco operacional é definido por falhas em processos, ferramentas ou tarefas que prejudicam as atividades da organização. Geralmente, o mal funcionamento operacional está relacionado a perdas financeiras ou interrupções do serviço.

Por exemplo, uma fabricante sofre uma falha em seu sistema de gestão logística, acarretando atrasos nas entregas e causando danos aos clientes e à própria receita.

O conceito de risco legal e regulatório se refere à não conformidade com leis ou normas aplicáveis. De forma mais simples, é uma incerteza em relação ao cumprimento de leis ou regras obrigatórias a serem seguidas em determinado setor.

Exemplo: uma empresa da construção civil é responsabilizada judicialmente por não cumprir as normas ambientais previstas na legislação local da cidade, que exige o descarte adequado de resíduos químicos.

Risco de reputação

Este tipo de risco está associado a danos à imagem da empresa em razão de repercussão negativa na mídia, no mercado e entre stakeholders. Os danos à reputação estão geralmente associados a escândalos, crises ou percepções negativas, com potencial de influenciar a confiança de clientes e parceiros.

Um exemplo real de dano à reputação é o sofrido em 2023 pela Americanas, devido aos erros e inconsistências contábeis e o acúmulo do alto volume de dívidas. O episódio atingiu bancos credores, fornecedores, consumidores e o mercado financeiro.

Risco de segurança cibernética

A transformação digital fez emergir o risco cibernético, sendo ele um dos principais itens a serem cuidados na gestão de riscos das empresas. O risco de segurança cibernética inclui ameaças como vazamentos de dados, ataques hackers e extorsão.

Exemplo: um ataque hacker expõe os dados de clientes de uma empresa, levando à quebra do sigilo de informações confidenciais, perda de confiança na marca e eventual responsabilidade civil.

Risco estratégico

Risco estratégico é toda incerteza relacionada às decisões estratégicas de longo prazo da empresa – como falta de inovação, crescimento acelerado sem infraestrutura adequada, ou falha na análise de mercado.

Um exemplo clássico e real da falha na gestão de riscos estratégicos é o declínio da Kodak. A empresa, líder no mercado de filmes fotográficos, foi pioneira no desenvolvimento da primeira câmera digital, mas não conseguiu se manter na onda da inovação.

Essa falta de resposta às novas demandas do mercado, uma clara falha estratégica, levou à sua falência em 2012.

Risco ambiental

Entende-se por risco ambiental todo tipo de evento ou condição futura que gera impactos ambientais negativos, como a emissão de gases poluentes, despejo inadequado de resíduos industriais, práticas que afetam a qualidade do solo, entre outros.

Exemplo: uma usina de açúcar e etanol é responsabilizada após o despejo irregular de resíduos agroindustriais em um rio, causando a morte de milhares de peixes.

Risco de recursos humanos

No setor de recursos humanos, a organização precisa gerenciar riscos como alta rotatividade, conflitos ou falta de qualificação profissional. As consequências comuns são a falta de produtividade, baixa retenção e engajamento.

Exemplo: devido a falta de organização prévia, a saída inesperada de um gestor importante da companhia causa atrasos em projetos importantes.

Risco transferível

Risco transferível é todo tipo de risco que pode ser repassado ou compartilhado com outra parte, reduzindo o impacto financeiro. Eventos como acidentes, desastres e danos patrimoniais, por exemplo, são cobertos por seguros e, nesse caso, considerados transferíveis.

Exemplo: um incêndio em um supermercado destrói boa parte das mercadorias e equipamentos, gerando prejuízos elevados que são cobertos pela indenização do seguro.

O que é ISO 31000 e para que serve na gestão de riscos?

A ISO 31000 é um documento normativo, publicado em 2009, sendo um padrão reconhecido na implementação da gestão de risco. Essa norma dita os princípios, estrutura e o processo a ser seguido no gerenciamento de riscos.

Esse documento simples, curto e de fácil leitura garante que as empresas, independentemente do seu porte ou segmento, possam implantar um framework de gestão de risco nas mais variadas formas de riscos.

Em resumo, o documento possui os seguintes capítulos:

  • Introdução;
  • Escopo;
  • Referências Normativas;
  • Termos e Definições;
  • Princípios;
  • Estrutura;
  • Processo.

Quais são os princípios da gestão de riscos?

Na gestão de riscos, os princípios são a base para o gerenciamento eficaz dos riscos, e devem ser seguidos para estabelecer a estrutura e os processos a serem executados na organização.

Os princípios determinam que a gestão de risco deve:

  • criar e proteger o valor;
  • ser integrada;
  • ser estruturada e abrangente;
  • ser personalizada;
  • ser inclusiva;
  • ser dinâmica;
  • utilizar a melhor informação disponível;
  • considerar fatores humanos e culturais;
  • promover a melhoria contínua.

Quais são os benefícios da gestão de riscos?

Uma empresa que adota a gestão de riscos desfruta de benefícios que vão desde a prevenção de prejuízos até a proteção da reputação. Confira os principais:

  • Prevenir prejuízos financeiros que podem comprometer a receita;
  • Tomar decisões mais seguras e estratégicas, baseadas em dados e análises;
  • Garantir conformidade com as normas e regulamentações atuais;
  • Evitar crises de imagem e proteger a confiança de clientes e parceiros;
  • Identificar falhas operacionais, otimizar recursos e aumentar a eficiência.

Como fazer uma gestão de risco?

Para implementar um programa de gestão de risco de sucesso, é preciso seguir um passo a passo que oriente a criação de um sistema de gestão robusto.

Nesse sentido, é necessário:

Identificar os riscos

O primeiro passo é mapear as ameaças que mais assombram a organização. Considere tanto as ameaças internas como as externas que possam, de algum modo, impactar o negócio. A análise precisa ser detalhada, além de considerar aspectos do risco que incluem a probabilidade, impacto, tempo, contexto e controle.

Avaliar os riscos

Agora, os riscos precisam ser classificados de acordo com o nível e potencial de ameaça que eles apresentam. Abaixo, trouxemos uma escala de consequência/impacto, elaborada pela CGDF, para quantificar o nível de risco que um evento apresenta.

Escala de consequências e impactos na gestão de risco.

Desenvolver uma estratégia de mitigação

A partir do conhecimento sobre as principais ameaças à gestão de risco, é chegado o momento de construir um plano de contingência. Esse documento é uma espécie de relatório, onde devem ser levantadas todas as ações prévias a serem tomadas para minimizar um evento inesperado quando ele estiver acontecendo.

Implementar medidas de controle

Além do plano de ação, a gestão de riscos exige a implementação de procedimentos e políticas para prevenir e mitigar as ameaças ao negócio. Nesta etapa, é essencial garantir treinamentos que capacitem os funcionários a agir de forma adequada no dia a dia e, inclusive, para que saibam endereçar possíveis ameaças aos agentes responsáveis.

Elaborar relatórios de riscos

Embora esse trabalho seja do gestor, analista ou consultor de riscos, na prática sabemos bem como funciona: em estruturas menores, esse trabalho recai sobre os ombros do CEO.

Mesmo assim, é importante não negligenciar os relatórios, onde as informações devem ser registradas para que todas as partes interessadas possam ser comunicadas.

Monitorar e revisar

Criar o documento de gestão de riscos e não revisá-lo constantemente é um erro grave. Afinal, a empresa é um organismo vivo, repleto de pessoas que vêm e vão, além de regras e processos que mudam repentinamente.

Portanto, crie um cronograma regular de monitoramento, conforme as necessidades e peculiaridades do negócio.

Essa revisão, além de identificar mudanças ou tendências relacionadas aos riscos, também assegura a constante eficiência dos planos de contingência. Em outras palavras, se a situação ficar difícil, a empresa não vai ficar na mão e terá um plano confiável para seguir.

Quais são as ferramentas para gestão de riscos?

Há muitas ferramentas disponíveis para o gerenciamento de riscos, entre as quais:

  • FMEA (Análise dos Modos de Falha e seus Efeitos);
  • Matriz de Probabilidade e Impacto;
  • APR (Análise Preliminar de Riscos);
  • E se? (What If);
  • HAZOP (Estudo de Perigos e Operabilidade);
  • Árvore de Falhas;
  • Método de Monte Carlo;
  • Análise de Cenários;
  • Diagrama Gravata-borboleta (Bowtie);
  • Checklists de Riscos.

Conclusão

Neste artigo, vimos que empresas inovadoras que buscam o crescer não podem abrir mão de um programa eficaz de gestão de riscos.

Afinal, se o objetivo é alcançar metas ambiciosas no futuro, um evento inesperado não deveria ser capaz de comprometer tudo, certo?

Porém, mesmo com todo o cuidado, alguns riscos podem escapar do controle da empresa. Nesses casos, o seguro empresarial atua como uma camada extra de proteção, ajudando a preservar a empresa financeira, judicial e operacionalmente.

Faça uma cotação com a Mutuus e descubra como fortalecer ainda mais o seu gerenciamento de riscos.

Esse artigo foi útil?

Ficou com alguma dúvida?

Leia mais sobre outros

Comentários (0)

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *